DE VOLTA ÀS URNAS: AS ELEIÇÕES SUPLEMENTARES DOS CICLOS ELEITORAIS DE 2012 E 2016

Ralph André Crespo, Leandro Molhano Ribeiro, Vitor de Moraes Peixoto

Resumen


Este artigo tem o objetivo de analisar as eleições suplementares que ocorreram entre 2013 e 2019, decorrentes de contestações judiciais nas eleições municipais ordinárias de 2012 e 2016. Pretende-se contribuir com a literatura a respeito do tema ao comparar os resultados das eleições suplementares neste período e caracterizar esse fenômeno como uma dimensão da judicialização da política no Brasil que merece ser estudada de forma sistemática. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa essencialmente descritiva, com predominância de técnicas quantitativas, em que são analisadas 280 eleições suplementares, a partir de informações oficiais coletadas no TSE e no IBGE com o principal objetivo de identificar se, e em que medida, as eleições suplementares alteraram a configuração final dos partidos na arena eleitoral. Constatou-se que a maioria dos municípios que tiveram eleições suplementares são de pequeno porte e que suas principais causas alegadas, nos processos judiciais, relacionam-se com o abuso de poder e a inelegibilidade por rejeição das contas públicas. A pesquisa mostra também que os partidos políticos têm buscado cada vez mais levar a disputa eleitoral das urnas para os tribunais, mas nem sempre são beneficiados nas eleições suplementares. Os partidos que, em termos absolutos, mais perderam e ganharam prefeituras, respectivamente, foram o PSDB e o PT, no ciclo de 2012 e o PSDB e o PATRIOTA, o PDT e o PP no ciclo de 2016. No entanto, não foram verificados padrões sistemáticos de vitórias e derrotas de acordo com orientações partidárias. O artigo finaliza chamando a atenção para o fato de que as contestações judiciais do processo eleitoral podem ser mais uma dimensão da judicialização da política no Brasil.

Palabras clave


Eleições suplementares, Judicialização da política, Tribunal Superior Eleitoral, Abuso de poder, Ficha Limpa.

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DOI: https://doi.org/10.5102/rbpp.v15i3.8481

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