Carolina Maria de Jesus e a representação social de pobre em Quarto de Despejo

André Luis Gomes Moreira

Resumo


Este artigo discute contribuições da literatura para a representação do pobre, a partir da análise da obra Quarto de Despejo, diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus. Toma-se como suporte teórico o conceito de representações sociais, desenvolvido por Serge Moscovici. Para além de uma representação artística do autor sobre o objeto em estudo, mas sem contudo desmerecer o caráter estético da obra literária, discute-se neste texto o registro do pensamento social de uma época sobre o pobre, mais especificamente sobre o favelado brasileiro, a partir da análise do conjunto de crenças, imagens, metáforas e símbolos utilizados, evidenciando-se, em última instância todo um pensamento socialmente partilhado quanto a esse objeto social. O estudo revela o estabelecimento de um perfil historicamente partilhado que delineia o pobre como alguém desprovido de seus direitos básicos de sobrevivência e de livre-concorrência na sociedade, condenado a viver em guetos sem infraestrutura, comumente associado à violência, vícios, fome, sujeira, mas que, por outro lado, revela consciência política manifestada por um discurso de resistência a assumir essa identidade social.

Texto completo:

Texto completo


DOI: http://dx.doi.org/10.5102/univhum.v9i2.2091

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


ISSN 1984-9419 (impresso) - ISSN 2175-7488 (on-line)

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia