A ideia de que os latino-americanos preferem o autoritarismo à democracia à luz da reinterpretação dos critérios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
DOI:
https://doi.org/10.5102/rdi.v14i2.4702Palavras-chave:
Democracia. Autoritarismo. Democracia brasileira. Democracia mexicana. Democracy. Authoritarianism. Brazilian democracy. Mexican democracyResumo
Por meio deste artigo almeja-se aferir a correção da ideia de que os latino-americanos preferem o autoritarismo à democracia. A metodologia utilizada é bibliográfica e documental. Aborda-se inicialmente os relatórios e informes estatísticos nos quais embasa-se a referida concepção. Posteriormente, igualmente mediante o uso de estatísticas, analisa-se em linhas gerais quem é o povo latino-americano e como são os regimes democráticos onde vivem, ao examinar-se o impacto da pobreza e da desigualdade sobre a construção da democracia e da cidadania na América Latina. Em seguida, mediante o corte epistemológico consistente no enfoque das realidades do Brasil e do México, são avaliados todos os dados estatísticos mencionados em confronto com fatores históricos e culturais pertinentes, dentro do roteiro de desvelamento crítico acerca de quem é o povo latino-americano e de como são as democracias existentes na América Latina. Conclui-se, ao final, que a pretensa tendência dos cidadãos latino-americanos a preterirem a democracia em prol do autoritarismo baseia-se numa interpretação de dados estatísticos divorciada do cotejo com a história e as instituições democráticas latino-americanas. A originalidade da inferência principal reside, em primeiro lugar, por basear-se na demonstração de que que o descrédito da democracia estatisticamente verificado não recai sobre regimes políticos que garantem acesso do povo ao poder político, mas sim sobre modelos de democracia inaptos para proverem a participação popular na formação da vontade política. Em segundo lugar, no caso do Brasil, por fundamentar-se na aferição de que o modelo de democracia cujo apoio tem diminuído sequer consiste numa democracia formal.Downloads
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