Análise dos impactos do aumento do home office na incidência de dores lombares e na qualidade do sono em profissionais de Brasília, que adotam essa modalidade de trabalho

Gabriel Nogueira Rizzie, Samuel Brito Veiga, Alexsandro Barreto Almeida

Resumen


O presente estudo epidemiológico, observacional, analítico e transversal teve como objetivo analisar os impactos do aumento da modalidade remota de trabalho, o home office, na incidência de dores lombares e na qualidade do sono em profissionais que adotam esse regime. A pesquisa foi realizada por meio de uma entrevista semiestruturada composta por 73 perguntas, aplicada via Google Formulários, contando inicialmente com 31 participantes (11 homens e 14 mulheres), dos quais foram previamente excluídos 6 com histórico de lesões traumáticas ou doenças degenerativas, resultando em uma amostra final de 25 indivíduos. As questões relacionadas às dores lombares basearam-se no Nordic Questionnaire (KUORINKA et al., 1987), enquanto as referentes à qualidade do sono foram adaptadas do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (BUYSSE et al., 1989) e da Escala de Sonolência de Epworth (JOHNS, 1991). Os resultados indicaram impactos significativos do home office sobre a saúde musculoesquelética e o sono: 70% dos entrevistados relataram episódios de dor lombar nos últimos 12 meses, sendo que 30% apresentaram dor por 1 a 7 dias, 20% por 8 a 30 dias e 10% quase diariamente, enquanto 40% não relataram desconforto relevante. A prática regular de atividade física mostrou-se fator protetor, pois entre aqueles que realizavam pelo menos 3 horas semanais de exercício, 80% não apresentaram dor ou tiveram apenas episódios leves (1 a 7 dias/ano), em contraste com 20% de fisicamente ativos que relataram queixas mais persistentes, reforçando a importância do exercício na prevenção. Quanto ao tempo de exposição às telas, verificou-se associação com distúrbios do sono: 50% dos participantes permaneciam mais de 10 horas diárias em frente a dispositivos eletrônicos e, nesse grupo, 70% desenvolveram problemas significativos, incluindo dificuldade para iniciar o sono (45%), despertares noturnos frequentes (60%, três ou mais vezes por semana) e redução média de 1,5 hora na duração total do sono em comparação aos padrões prévios.

Palabras clave


dor lombar, qualidade do sono, home office, trabalho remoto, sedentarismo, tempo de tela.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.0.10825

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